Um estudo de campo inovador no sudoeste da Flórida identificou várias neurotoxinas no ar e na água do estado relacionadas com a proliferação de algas nocivas (toxinas de algas). As cianobactérias, também chamadas de algas verde-azuladas, produzem as três formas de BMAA (beta-metilamino-L-alanina), um composto associado a doenças cerebrais e classificado como uma toxina de algas.
O estudo, conduzido por voluntários da Calusa Waterkeeper e analisado pelo Brain Chemistry Labs de Wyoming, identificou duas formas de BMAA em cada uma das 945 amostras coletadas ao longo de cinco meses. Os resultados confirmaram a presença de toxinas de algas no ar e nos corpos d’água circundantes, levantando novas preocupações sobre a contaminação da água, a vida marinha e a exposição do público.
Paul Cox, diretor executivo do Brain Chemistry Labs, explica:
“As toxinas estão lá? Sim. Elas estão sendo transportadas pelo ar? Sim. Elas são prejudiciais? Sim”, disse Cox. “Lamento não termos respostas mais concretas, mas os cidadãos estão realmente preocupados com isso, e com razão.”
Florescimento de algas nocivas e saúde humana
O florescimento de algas nocivas (HABs) ocorre quando organismos microscópicos como cianobactérias e outros organismos semelhantes a plantas crescem excessivamente devido ao escoamento de nutrientes, temperaturas quentes e sistemas de água doce estagnados. Esse florescimento pode produzir algas tóxicas que ameaçam os sistemas de água potável, a vida marinha e a saúde humana.
A exposição de curto prazo à proliferação de algas verde-azuladas pode causar irritação na pele, irritação respiratória ou até mesmo a morte em animais. Em humanos, o contato direto ou a inalação de proliferação de cianobactérias tem sido associado a insuficiência hepática, danos neurológicos e outros efeitos à saúde. Quando algas tóxicas contaminam mariscos ou peixes, elas podem causar intoxicação neurotóxica por mariscos, intoxicação paralítica por mariscos ou doenças de longo prazo que se desenvolvem anos após a exposição.
Estudos anteriores relacionaram toxinas de algas como a BMAA a doenças neurodegenerativas, como ELA e Parkinson, bem como insuficiência hepática aguda e câncer de fígado. Como essas doenças podem se desenvolver lentamente, a relação entre a exposição e a doença pode ser difícil de provar, deixando muitas questões sobre como as algas nocivas afetam o sistema nervoso central.
“Os cientistas não têm certeza se as doses são suficientes para desencadear a doença”, disse Cox. “Simplesmente não sabemos, e seria irresponsável da minha parte indicar o contrário, mas estou preocupado. O que não quero ver é um livro sendo lançado daqui a 10 ou 20 anos com um capítulo chamado ‘O Incidente da Flórida’.”
Pesquisa inovadora sobre toxinas de algas
Este estudo inovador abriu caminho para pesquisas futuras e recrutou tecnologia de ponta para torná-lo realidade. Ele utilizou um dispositivo de monitoramento personalizado conhecido como ADAM “Detecção Aérea para Monitoramento de Algas”. A tecnologia foi desenvolvida em colaboração com Michael Parsons, da Florida Gulf Coast University, membro da Força-Tarefa de Algas Azuis-Verdes do estado, e é a primeira a permitir a amostragem de água e ar no local, ajudando a rastrear melhor a proliferação de algas nocivas e toxinas de algas em corpos d’água e ambientes marinhos próximos.
Durante o período do estudo, cientistas voluntários coletaram amostras de ar e água em oito locais do condado de Lee, que se estende de Matlacha a Punta Rassa e do rio Caloosahatchee até Alva. Os pesquisadores então enviaram as amostras para Wyoming para análise pro bono de toxinas de algas e proliferação de cianobactérias.
Vale ressaltar que o período de amostragem ocorreu quando não havia eventos importantes de proliferação ou proliferações densas. Se o estudo fosse realizado no meio da proliferação, quando ocorrem proliferações de algas nocivas com altas concentrações de células de algas, os resultados provavelmente seriam consideravelmente diferentes.
“O objetivo do nosso trabalho é informar o público”, diz o cientista e voluntário da Waterkeeper Manuel Aparicio, que liderou o projeto de desenvolvimento do dispositivo. “Estabelecemos o método, criamos um programa, temos guardas florestais, temos o dispositivo e vamos continuar fazendo isso.”
A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) e os parceiros regionais continuam a enfatizar programas de monitoramento como este para proteger os sistemas de água potável, proteger a vida marinha e reduzir os riscos de contaminação de mariscos e doenças humanas causadas por algas tóxicas.
Impacto ambiental e morte de peixes
Além da saúde humana, a proliferação de algas nocivas perturba os ecossistemas aquáticos. Quando ocorre a proliferação de algas, elas consomem oxigênio e bloqueiam a luz solar, levando à morte de peixes e prejudicando outras formas de vida marinha. Lagos de água doce desoxigenados e ambientes de água salobra não podem mais sustentar ecossistemas marinhos saudáveis, criando efeitos em cascata sobre mamíferos marinhos, aves e a cadeia alimentar.
Afloramentos densos, também conhecidos como afloramentos de algas nocivas, foram relatados em todo o mundo, do Lago Erie ao Golfo do México, causando a morte de peixes e outras formas de vida marinha, deixando as águas circundantes verdes brilhantes ou descoloridas. Esses eventos de algas tóxicas ameaçam o abastecimento de água potável e aumentam os custos de tratamento para os municípios.
Um apelo à conscientização e prevenção contra as toxinas das algas
Os pesquisadores concordam que compreender como as algas nocivas afetam a saúde humana e os ecossistemas marinhos requer uma colaboração de longo prazo entre cientistas, agências governamentais e organizações ambientais sem fins lucrativos.
Projetos como este no sudoeste da Flórida são essenciais para o desenvolvimento de tecnologias mais inteligentes de gestão e monitoramento da água que protejam a água potável, a vida marinha e a saúde pública.
Saiba mais sobre como tecnologias inovadoras de monitoramento podem ajudar a prevenir a proliferação de algas nocivas e proteger nossos recursos hídricos.